PERSONALIDADES

Carmen Miranda

“… A pequena notável (como ainda é conhecida entre os brasileiros) ou a Brazilian Bombshell (para os americanos)…
Morreu no apogeu da carreira artística. Aos 46 anos, inesperadamente, vitimada por um ataque cardíaco, na solidão do quarto na sua mansão de Hollywood…
Deixara Marco de Canaveses com menos de um ano de idade rumo ao Brasil onde os pais iam tentar melhores dias. Desde o início da sua modesta vida no Rio, Bituca, ou melhor, Maria do Carmo Miranda da Cunha, deu mostras da sua personalidade invulgar e do seu talento criativo. Carmen Miranda de parceria com a sua irmã Aurora, rapidamente ascende a uma carreira fulgurante que a levaria depois a conquistar sucessivamente a Broadway e Hollywood, a América e o mundo. A estreia nos famosos teatros nova-iorquinos é decisiva: encerra o período brasileiro da cantora, abrindo a fase norte-americana, que também sabe explorar o seu papel de comediante. Uma vida artística extremamente intensa leva-a a constantes viagens entre a Meca do cinema, Nova Iorque e outras cidades americanas, repartidas entre filmagens e sucessivos shows. A Europa foi de igual modo destino de digressões, mas sem que alguma vez Carmen tivesse tido a oportunidade de visitar, como sempre desejou, o seu país de origem.
De Carmen Miranda, cuja lembrança vive adormecida nas nossas memórias coletivas, temos na generalidade um difuso conhecimento. Quantos saberão, por exemplo, que a Embaixatriz do Brasil celebrizada pelo disco, o cinema e a TV, manteve até à morte a nacionalidade portuguesa?”

Barsante, Cássio Emmanuel. Carmen Miranda, Lisboa, Pandora Editora